FutebolLife StyleSporting

Loures tem um Marinheiro habituado aos ‘cruzeiros’ da Taça

Capitão já defrontou o FC Porto

Depois de ultrapassar o Oleiros, o Loures viu o destino colocar-lhe o Sporting no caminho, na 3.ª eliminatória da Taça de Portugal. A equipa de André David herdou a ‘fava’ que na época transata calhou precisamente ao conjunto da zona do Pinhal e envolveu-se de imediato no tradicional espírito da prova rainha do futebol portiguês.

As exigências que o evento acarreta impossibilitaram que o dia único para os homens dos arredores da Grande Lisboa fosse escrito em sua casa, levando o jogo para Alverca. Será aí que o ‘David’ do Campeonato de Portugal tentará surpreender o ‘Golias’ a Primeira Liga.

Para isso, terá como líder um Marinheiro habituado aos ‘cruzeiros’ da Taça. O capitão, Fábio Marinheiro, já defrontou o FC Porto, há quatro épocas, com a camisola do Atlético, em pleno estádio do Dragão, e, em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, revela a estratégia da ‘caravela’ que sonha tornar-se ‘navio’ e… ‘afogar’ o leão.

Notícias ao Minuto

Líder do Loures dentro de campo, Fábio Marinheiro promete entrega diante do Sporting.© Fabio Marinheiro

De que forma teve conhecimento de que o sorteio tinha colocado o Sporting no caminho do Loures?

Nós tivemos treino de manhã e de tarde… Então, ficámos lá a almoçar e a assistir ao sorteio. Foi um misto de emoções de todos. Por um lado, claro que queremos chegar o mais longe possível e, para tal, esperamos que saia uma equipa mais acessível, mas, por outro, temos a noção da oportunidade única que é jogar contra um ‘grande’. É daqueles jogos que todos querem participar.

Qual foi a reação ao ver o nome do Sporting?

Ficámos todos muito contentes. Sendo com um ‘grande’, é logo um jogo diferente. E toda a malta reagiu muito bem.

Mas a possibilidade de medirem forças com um ‘grande’ já tinha sido discutida entre vocês?

A partir do momento em que entram as equipas ‘grandes’ ficamos sempre nessa expetativa que calhe uma delas. É um jogo totalmente diferente, com transmissão televisiva. Se em Loures temos 200 pessoas, se calhar ali teremos 10 mil ou 20 mil a ver.

Bem sei que, muito possivelmente, estamos num jogo anterior e até podemos pensar: ‘E se meto o pé e me lesiono? E se sou expulso?’ Mas isso não pode existir! 

Foi difícil trabalhar durante a semana, sabendo que antes teriam o jogo com o Torreense e que era importante não ter aquele receio de meter o pé?

Não pode haver isso! Cada jogador não pode pensar nisso. Bem sei que, muito possivelmente, estamos num jogo anterior e até podemos pensar: ‘E se meto o pé e me lesiono? E se sou expulso?’ Mas isso não pode existir! O nosso foco sempre foi o campeonato, vamos fazer de tudo nessa competição e a Taça de Portugal é apenas um bónus. É difícil gerir as emoções, claro, mas acho que todos nós estivemos focados no compromisso que tínhamos antes deste jogo.

Notícias ao Minuto

Fábio Marinheiro é o líder de uma equipa humilde, mas que quer honrar o clube e as pessoas de Loures.© Fábio Marinheiro

A equipa tem sentido um maior apoio dos adeptos nesta fase?

Normalmente, temos sempre pessoas a acompanhar os treinos e esta semana não fugiu à regra. Nota-se que há mais gente, derivado ao sorteio, mas isso é normal.

LP

Sim… Eu preferia jogar em casa! É normal porque treinamos lá, jogamos lá e iríamos sentir-nos muito mais confortáveis. Mas também sei que para o clube não iria ser vantajoso ter o jogo lá, pois as instalações não têm a capacidade para acolher tanta gente. Por aí compreendo a decisão de fazer o jogo fora. Para as pessoas da terra é um problema, mas a nível de clube e de estrutura será uma vantagem.

Sabe o que é defrontar um grande na Taça de Portugal, uma vez que, com a camisola do Atlético, em 2014, foi ao Dragão. Como se gerem as emoções antes de uma partida deste nível?

Não é fácil! A malta já está a pensar no jogo com o Sporting e será difícil tirar esse foco. Mas o nosso é objetivo é o campeonato. Na Taça queríamos fazer história, chegar o mais longe possível. Calhou-nos o Sporting e agora há que desfrutar.

Os mais novos têm que se focar e encarar isto como uma oportunidade para poder, quem sabe, dar o salto e fazer do dia de amanhã diferente do de hoje.

Que mensagem irá transmitir aos seus companheiros, como capitão e como um jogador que já viveu essa experiência de defrontar um ‘grande’?

Temos que desfrutar do momento… É uma semana diferente, com televisões, jornais, sites, as pessoas seguem cada jogador, há entrevistas, reportagens… Enfim. Claro que temos que tirar partido disso. Os mais novos têm que se focar e encarar isto como uma oportunidade para poder, quem sabe, dar o salto e fazer do dia de amanhã diferente do de hoje. Não é fácil, pois há pressão, mas há que saber lidar com isso. Quem tem a ambição de chegar lá a cima tem que ter esse estofo.

Notícias ao Minuto

Em 2014, o central defrontou o FC Porto, em pleno estádio do Dragão, com a camisola do Atlético.© Fábio Marinheiro

Que semelhanças encontra entre este e esse jogo no Dragão – triunfo portista por 6-0?

Quando joguei com o FC Porto foi a primeira vez que defrontei um ‘grande’. Na altura estava na Segunda Liga, jogava com o FC Porto B, o Benfica B e o Sporting B, mas era diferente. Ir ao estádio do Dragão para mim foi fantástico. Tinha 25 anos, não era muito novo, mas também não era velho. Desta vez é diferente, mas sinto-me mais preparado.

Não sonho nem vivo obcecado com isso, mas seria um feito único para um dia mais tarde recordar.

Curiosamente até fez auto-golo nesse jogo… Já sonhou marcar ao Sporting, desta vez?

Não sonho nem vivo obcecado com isso, mas seria um feito único para um dia mais tarde recordar. Tenho amigos em brincadeiras e comentários de facebook a falarem nisso… [risos]

O facto de o Sporting não estar a atravessar a melhor fase serve de uma espécie de motivação extra para o Loures?

Não… É um jogo de taça e tudo pode acontecer. Não vou dizer que vamos jogar para ganhar ou que vamos entrar com isso no pensamento. Queremos fazer o que nos compete. Será especial porque tenho um grande amigo do outro lado, o Tiago Fernandes. Poder jogar contra o Sporting e contra ele é uma sensação única. Depois, muito sinceramente, o facto de ser em Alverca tem vantagens e desvantagens para uma e outra equipa. Nós estamos habituados a treinar num campo sintético e ali vamos ter relva natural. Grande parte dos meus companheiros está ater a primeira experiência no sintético esta época aqui no Loures e, por isso, não será muito diferente para eles. Para o Sporting é um campo diferente e certamente também terá desvantagens, porque não é em Alvalade, por exemplo. Independentemente do momento deles, temos de ser conscientes e fazer uma avaliação sincera de que, mesmo num momento menos bom, o Sporting será sempre um candidato a ganhar esta competição.

Temos vindo a trabalhar bem durante a semana, acreditamos naquilo que o treinador nos pede e sinto que é um bom momento para nós. 

Qual é o estado de espírito da equipa neste momento?

Nós viemos de uma fase de mudança. Mudámos de treinador há cerca de três ou quatro semanas e eu sinto a equipa cada vez mais confiante. Temos vindo a trabalhar bem durante a semana, acreditamos naquilo que o treinador nos pede e sinto que é um bom momento para nós. A receção ao Sporting dá-nos maior confiança e motivação, a nós e à equipa técnica também.

Já disse que o campeonato é a grande prioridade. Qual é o grande objetivo do Loures?

O nosso objetivo passa por chegar perto dos lugares do playoff, jogar para ganhar em casa e fora fazer o melhor possível.

Notícias ao Minuto

Capitão pede o apoio em massa dos adeptos em Alverca, casa emprestada para receber os leões.© Fábio Marinheiro

A última eliminatória, frente ao Oleiros, foi bastante sofrida. Essa forma como o apuramento para esta fase foi conseguido fortalece ainda mais a equipa?

Sim, tivemos sorte nos dois sorteios, digamos assim, porque tivemos os dois jogos em casa, primeiro com o Portalegrense, uma equipa da Distrital, e depois com o Oleiros, da nossa Serie, no Campeonato de Portugal, que nós conhecemos bem. Sabíamos o que esperar e que o Oleiros era uma equipa complicada, que também joga em sintético,  fisicamente idêntica à nossa, e tínhamos noção que seria um jogo difícil, tal como todos neste patamar. Foi complicado, mais do que com o Portalegrense, mas felizmente conseguimos a vitória.

Tenho cerca de 100 jogos nos escalões profissionais, na Segunda Liga, e ambiciono lá voltar.

Aos 29 anos, e depois de passagens por clubes como o Olhanense, o Casa Pia ou o Atlético, este será um dos pontos mais altos da sua carreira?

É obvio que sim porque é um momento especial na carreira de qualquer jogador poder jogar contra um ‘grande’. Pessoalmente, tenho cerca de 100 jogos nos escalões profissionais, na Segunda Liga, e ambiciono lá voltar. Tenho 29 anos, como disse, e esse é o meu objetivo, consciente do trabalho e das dificuldades que me esperam. Mas tenho isso bem delineado e espero ajudar o Loures a chegar às ligas profissionais.

Apesar de estar ainda na casa dos 20’s, é já um jogador muito experiente. Que momentos marcantes guarda de todo o seu trajeto, além, claro, desse jogo com o FC Porto, de que já falámos?

O meu primeiro ano em Olhão foi bastante marcante. Não começámos muito bem, mas terminámos de forma genial. Ainda a época não tinha começado e já éramos o alvo a abater por todas as equipas. Todos apontavam  o Olhanense como o favorito à descida de divisão e o que é certo é que, com um misto de jogadores experientes e outros jovens, maioritariamente de campeonatos amadores, conseguimos fazer um grupo engraçado, comandado pelo Cristiano Bacci. Fizemos uma excelente campanha e ficámos a seis ou sete pontos dos lugares de subida, algo que no início era impensável. Por isso, esse foi marcante.

Notícias ao Minuto

Passagem pelo Olhanense, em 2015/16, foi uma das mais marcantes para o defesa.© Fábio Marinheiro

Que amizades mais especiais já fez no futebol?

Tenho muitas…. Nesse ano do Olhanense foram muita. Dividi casa com o Micka Pereira… No Alcochetense, como já disse, tive o Tiago Fernandes, que é um dos meus grandes amigos. É difícil eleger porque são muitos. Mas um dos grandes troféus que se leva do futebol é, sem dúvida, as amizades.

Falando em troféus, independentemente da passagem ou não do Loures à próxima fase, o que seria uma grande conquista no jogo com o Sporting?

Eu penso que seria dar continuidade ao que temos feito ate aqui. A equipa tem vindo a crescer e, independentemente do adversário, espero que todos mantenham esse compromisso, essa seriedade, essa atitude e essa humildade.

O meu irmão é sportinguista e já me disse que ia torcer pelo Sporting e não pelo Loures. 

Já teve algumas ‘picardias’ de familiares ou amigos sportinguistas?

Já… [risos] O meu irmão é sportinguista e já me disse que ia torcer pelo Sporting e não pelo Loures. Mas isso é coisas saudáveis.

Notícias ao Minuto

Fábio Marinheiro tem em Tiago Fernandes, adjunto de José Peseiro no Sporting, um dos grandes amigos. Este jogo será especial também por isso…© Fabio Marinheiro

Este Sporting tem algum jogador que admire particularmente?

Alguns… O Bruno Fernandes, os centrais, Coates e Mathieu… É normal. Qualquer um que jogue futebol tem que ter nesse tipo de jogadores as referências. E eu tenho algumas no Sporting, apesar de não ser sportinguista! [risos]

Numa espécie de mensagem final para os adeptos do Loures, o que gostaria de dizer?

Apesar do jogo não ser em Loures, peço que compareçam em grande número, sei que, com os resultados que temos vindo a ter, temos levado pessoas ao estádio e esse continua a ser o nosso objetivo. Não vos vamos deixar mal em termos de atitude e de compromisso. Contem connosco!

Fonte: Notícias ao  Minuto.

Origem
Notícias ao Minuto

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Close