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Bruno Lage é o rosto de uma crise histórica e sem fim à vista

O Benfica caiu com estrondo, na noite de terça-feira, e o cenário de crise voltou a ser colocado em cima da mesa depois do triunfo em Vila do Conde ter afastado, por breves instantes, o clima de insatisfação por entre os adeptos encarnados. As águias vivem uma situação de grande fragilidade e os números apresentam factos incontornáveis que merecem ser tema de reflexão. 

O Santa Clara fez história no Estádio da Luz por diversas razões, mas a mais marcante prende-se com um dado histórico. A última vez que o Benfica tinha sofrido quatro golos num só jogo em casa, em todas as competições, foi há mais de 20 anos, mais concretamente na visita do Salgueiros ao velho estádio da Luz, tendo vencido pelo mesmo resultado obtido pelos açorianos. 

Mas a crise do Benfica não se explica por um único resultado. O Santa Clara apenas agudizou uma sequência que parecia ter terminado na visita ao Rio Ave, mas que voltou a surgir. O Benfica já havia desiludido antes da pausa forçada pela pandemia e no pós-confinamento tem sido muito permeável em termos defensivos. Em quatro jogos, as águias acumulam um total de sete golos averbados. Desses sete golos, cinco aconteceram na sequência de bolas paradas: quatro cantos e um penálti. Um registo defensivo pobre e que serve de alerta para uma equipa que, refira-se, luta pela revalidação do título de campeã nacional. 

O ‘ataque’ inesperado aos jornalistas que motivou uma reação do Sindicato 

Bruno Lage não gosta de perder, tal como qualquer treinador do mundo. Após a derrota com o Santa Clara, o treinador encarnado surgiu na sala de imprensa do Estádio da Luz incomodado com o resultado inesperado e acabou por apontar o dedo aos… jornalistas 

“Vou responder à pergunta de uma forma muito clara. Desde a 3.ª jornada com o FC Porto que vocês estão muito preocupados com o meu lugar. Aliás, nem é desde essa jornada. É desde os dois primeiros jogos. Recordo-me perfeitamente que até chegaram a perguntar qual é que era o meu ordenado”, começou por dizer em conferência de imprensa. Às vezes fico é a pensar quem é que vocês andam a tentar promover para ficar com o meu lugar. Ou quem é que vos anda a pagar almoços ou jantares, ou viagens, para entrar aqui no meu lugar. O lugar não é meu, é do Benfica”, afirmou Bruno Lage.

As declarações do treinador encarnado fizeram correr muita tinta e o Sindicato dos Jornalistas já condenou as mesmas, pedindo que fossem apresentadas provas que sustentem as acusações em causa. 

Os argumentos nas anteviões 

Bruno Lage tem olhado para a questão do título como sempre olhou: jogo a jogo, sem pensar nos resultados do rival. No pós-confinamento, na antevisão ao jogo com o Tondela, que acabaria num nulo, o treinador encarado descartou a teoria de que o Benfica era o clube mais beneficiado pela paragem forçada, uma vez que tinha recuperado vários jogadores que até então estavam lesionados. 

“Esta paragem nunca pode ser visto como boa. Mas em termos pessoais podemos tirar alguma coisa de positivo, neste caso foi o facto de privar com os meu filhos e a minha mulher diariamente. Foram três meses de contacto diário, de aprendizagem, acho que esse foi o único ponto positivo do que aconteceu”, afirmou Bruno Lage no passado dia 3 de junho

O treinador das águias parecia estar a adivinhar o mau momento que viria a acontecer e sempre apontou a falta de público como uma das razões que justificam o baixo rendimento da equipa em campo. 

“O tempo de preparação condiciona, o facto de não haver adeptos no estádio condiciona e é algo que estamos a viver pela primeira vez. Isso é igual para todos”, atirou Bruno Lage, a 9 de junho, na antevisão à visita ao Portimonense, que resultaria num novo empate (2-2). 

O jogo no Algarve valeu críticas do treinador encarnado ao desempenho dos jogadores na segunda parte. Depois da vantagem construída na primeira metade, o Benfica sofreu dois golos nos segundos 45 minutos e Bruno Lage admitiu, na antevisão seguinte, que isso não poderia acontecer. 

“Viu-se a primeira parte que fizemos, mas com 2-0 na mão não podíamos deixar o Portimonense ficar com posse de bola e colocar-nos naquela posição”, explicou Bruno Lage, a 16 de junho, recorrendo novamente ao argumento dos jogos sem público nas bancadas. 

“Na minha opinião, sinto claramente a ausência do que é a alma do Benfica. É recordar o que vivemos quando fomos a Vila do Conde. Aquele mar de gente para nos apoiar. Passou-nos uma energia positiva que sentíamos de antemão e que o campeonato estaria do nosso lado. O que passamos com o Tondela, passamos o ano passado … com os adeptos a empurrarem-nos para a vitória. Nunca me senti, com uma ou outra exceção, a jogar fora de casa pelo apoio que temos sentido dos nossos adeptos”, sublinhou o treinador encarnado na antevisão à partida com o Rio Ave

Por seu turno, o argumento dos golos sofridos voltou a ser utilizado por Bruno Lage nas explicações para a derrota com o Santa Clara. O treinador encarnado entendeu que a equipa deveria ter segurado o resultado depois de ter saltado para a dianteira do marcador. 

“Oferecemos um penálti e depois oferecemos esta última bola. Depois de fazer três golos, a bola tem de ser nossa até ao fim”, atirou Bruno Lage, na flash interview à BTV. 

Críticas sobem de tom

A estrondosa derrota perante o Santa Clara motivou diversas reações por parte de várias figuras ligadas ao Benfica. São poucos os que defendem a continuidade de Bruno Lage à frente do comando técnico e há quem peça uma solução ainda no decorrer desta temporada. 

“Bruno Lage não tem condições para continuar e devia ter-se demitido, se tivesse um pingo de vergonha, em vez de insultar jornalistas. O Benfica pode queixar-se de um penálti discutível, mas não perdeu por causa disso. O Santa Clara jogou muito melhor. Se não houver um bom, deve vir um treinador interno, de transição. Em todo o caso, defendo treinador português”João Braz Frade, ex vice-presidente, ao Record. 

“Acho que há alguma confusão na passagem da mensagem para os jogadores, que demonstram insegurança. Durante o jogo, há períodos em que a equipa parece que desaparece, não é nada simpático ver o Benfica desta forma. (…) É um pouco de desgaste e de desconfiança das coisas que se vão dizendo. Ele próprio [Bruno Lage] se deve sentir confuso“, António Simões, antigo jogador, à Rádio Renascença. 

“Incrédulo e profundamente desiludido com o resultado de hoje. Mas nada pode servir para não continuarmos a fazer tudo para vencer o campeonato. É mais difícil? É. Mas se há quem merece ser campeão somos todos nós: os adeptos. Faltam 6 jogos. Não desistam. Eu não o vou fazer”Rui Gomes da Silva, candidato à presidência do Benfica, via Twitter. 

“Na Europa fomos um fracasso, fomos eliminados no grupo mais acessível da Liga dos Campeões, onde andamos a fazer experiências em vez de ganhar jogos. Depois saímos pela porta pequena da Liga Europa contra uma equipa que não competia há 2 meses e estava a fazer uma espécie de pré-época. Internamente, e contra um adversário falido, arriscamo-nos a perder outra vez o campeonato. Se acontecer, será o segundo perdido em três possíveis. Se isto é a tão propalada hegemonia, vou ali e já venho…”, Bruno Costa Carvalho, candidato à presidência do Benfica, via Facebook. 

Os nomes apontados à sucessão 

Após o desaire na Luz depressa começaram a ser apontados vários nomes à sucessão de Bruno Lage. O treinador encarnado parece ter o lugar em risco e alguma imprensa garante que o Benfica equaciona a sua saída ainda no decorrer desta temporada

Marco Silva foi apontado, pela imprensa grega, como um dos favoritos por parte da direção liderada por Luís Filipe Vieira, mas também Jorge Jesus e Luís Castro parecem ser nomes que agradam à estrutura benfiquista. 

Via
Noticias ao Minuto

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